Sínodos Vale do Itajaí e Norte Catarinense - 23 de junho de 2017
Abril 2016

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Seminário de preparação para a aposentadoria

O Centro de Eventos Rodeio 12, em parceria com os Sínodos circunvizinhos, reuniu ministros e ministras da Igreja com o objetivo de auxiliá-los no planejamento para a aposentadoria, entre os dias 17 e 18 de maio. O P. Guilherme Lieven, coordenador do Centro, acolheu os/as participantes e explicitando o programa que prevê dar subsídios e propor ações preparatórias para o planejamento da aposentaria, tanto a nível ministerial, quanto financeiro. Abordará também temas como moradia, participação na vida comunitária, eclesial e exercício ministerial como pessoa aposentada. Principalmente três objetivos querem ser alcançados com o seminário: abordar o papel da igreja para ministros/as que entram na aposentadoria, apontar para o compromisso do/a ministro/a que passa pelo processo e o que precisa fazer e o que cabe à Igreja; dialogar sobre o fato de que a gente não sabe tudo e não pode dar conta de tudo.

Lieven dirigiu a meditação, a partir do texto bíblico do dia, 2 Timóteo 1.6: “O apóstolo escreveu para Timóteo: Quero que você lembre de conservar vivo o dom de Deus que você recebeu.” Disse que somos chamados por Deus que, nos concedeu dons que valem para o todo de nossa vida, inclusive para os tempos da aposentadoria. “Somos pessoas queridas por Deus que nos chamou para o ministério, por mais que nos cursos dos anos vivamos tempos muito diferentes nas diversas fases da vida.”

Participam do Seminário: Marino Black, Sigfrid Baade, Dari Appelt, Norival Mueller, Nestor Nath, Marli Hellwig, Arnildo Wilbert, Friedrich Gierus, Osvald Doege, Marcos Butzke, Rolf Roeder, Rolf Jantsch, Rose Stresser, Carlos Sacht, Camila Schütz e Roberto Arnhold, Marcos Bechert, Katia e Wiliam Bretzke, Ernani Petry, Guilherme Lieven, Inácio Lemke e Pa. Vera Immich.
O P. Sinodal Inácio Lemke, em sua saudação, afirmou que o seminário é um resultado de um esforço dos Sínodos para oferecer um espaço de reflexão a ministros/as para que se preparem bem para o tempo da aposentadoria. Isto deve ser feito preventivamente, razão pela qual acolheu com alegria colegas mais novos que estão se fazendo presentes.

P. em. Friedrich Gierus e P. em. Arnildo Wilbert haviam sido convidados para darem seu testemunho como pastores aposentados. Gierus, aposentado há 13 anos, há 50 anos no Brasil, o mesmo tempo de ministério e de casamento, testemunhou que experimentar a aposentadoria tem consequências muito diferentes do que o imaginado. Depois da euforia inicial de alguns meses, vem a monotonia, fase em que a pessoa facilmente pode entrar em período depressivo. Sugere que é fundamental que cada pessoa ache seu próprio caminho para cuidar da saúde. O/A aposentado/a deve cuidar de seus gastos financeiros e colocar seus sonhos em prática. Deve observar que já não tem o mesmo vigor físico, que com o avanço da idade há mudanças corporais a serem consideradas, como por exemplo, rugas na pele, esquecimentos momentâneos e diminuição da libido.

Já Wilbert compartilhou que antes de ser pastor, foi professor de escola primária e técnico agrícola. Aposentou-se em 2010 e depois disto continuou a fazer o que gosta: participa de um grupo de pastores aposentados do litoral catarinense que se reúne periodicamente, integra o Conselho do Jornal a Caminho, além de integrar a diretoria de outras entidades, visita pessoas doentes, oficia cultos quando convidado dirige um grupo de estudos bíblicos em Florianópolis, onde também participa dominicalmente do culto. Além disto, cultiva horta e flores (sempre tem uma rosa em sua casa), leva o cachorro pra passear, estuda espanhol, o que abre outro leque de amizades, participa de atividades ecumênicas e procura envolver-se com netos, que infelizmente moram longe.

Para falar sobre os encaminhamentos na Igreja e trazer esclarecimentos sobre a legislação eclesial, o Secretário do Ministério com Ordenação, P. Marcos Bechert, fez um levantamento sobre os temas candentes. Foram levantados os seguintes temas: planejamento, legislação e valores da contribuição ao INSS e previdência complementar, pedido de entrada na aposentadoria na Igreja, idade para pedir a aposentadoria, pagamento de mudança, reaproveitamento para trabalho temporário e reingresso no quadro ativo, saque da reserva ministerial, pecúlio, preenchimento de formulários, necessidade de ingresso de novos/as ministros/as, convivência com sucessores/as na Paróquia, possibilidades de engajamento e acompanhamento a ministros/as aposentados/as. Falou também do programa de acompanhamento a ministros/as que têm possibilitado a reflexão sobre o ministério, a valorização do chamado de Deus e a importância do ministério com ordenação para que a Igreja realiza a sua tarefa missionária.

Coordenado pelo P. Guilherme Lieven, a sessão noturna possibilitou a partilha sobre sonhos e preocupações da aposentadoria. Destacou o valor dos depoimentos dos dois colegas aposentados, que valorizaram o tempo da aposentadoria, mas que também deixaram claro que há situações que desafiam e que provocam crises. O mundo e a Igreja estão em constante mudança, o que nem sempre é de fácil compreensão para a pessoa aposentada. Observamos que normalmente os filhos já não estão mais em casa, que a nova realidade traz novas exigências e que algumas pessoas não conseguem adequar-se à nova realidade porque não conseguiram “amarrar o seu jegue” e observam tudo de forma muito crítica. É necessário, no entanto, dar espaço para os/as colegas novos/as que chegam. Mudar-se para um novo lugar significa desinstalar-se “mas isto é interessante porque é possível construir novas relações”. Como outros ritos de passagem, é importante valorizar a entrada na aposentadoria, o que é celebrado pela Igreja como um ato de gratidão. Será muito difícil manter o padrão enquanto ativo, mas a pessoa deve cair na realidade. A aposentadoria não deve ser idealizada, porque não seremos diferentes do que sempre fomos: se fomos interventores, vamos continuar a sê-lo; se somos modestos, isto continuará a ser assim, se nos isolamos, nada disto se modificará. É necessário a gente se reconhecer. A pessoa que se sente crítica, deve fazer passos para tentar se adequar para aprender a conviver com as diferenças. Constatamos que “nem sempre a sabedoria vem com a idade, pois às vezes a idade vem sozinha”.

Apontamos também para o estigma de que se tornar velho é ficar senil e andar de bengala, o que traz uma conotação muito negativa deste tempo. Por outro lado, também não é correto dizer que se trata da “melhor idade”. Colegas aposentados têm testemunhado de que o desejo de ter a noite com a família e alguns fins de semana pra passear finalmente torna-se possível, mas isto sozinho não nos faz mais felizes.

O tema “Gratidão, Família e Aposentadoria”, na manhã do dia 18, foi assessorado pela pastora e psicóloga Vera Immich. Disse que “falar da aposentadoria é falar de uma transição de perdas e ganhos que dependerá da perspectiva individual e social que foi percebida e sentida”. Como o ministério ajuda a definir nossa identidade, a entrada na aposentadoria vai fazer com que percamos algumas das coisas que nos acompanham no ministério, tanto as dificuldades como também as alegrias. Vivemos numa sociedade que valoriza o jovem e por isto o envelhecimento é visto como um processo de decadência. Almejamos uma idade avançada, o que biblicamente é visto como uma bênção, mas que requer condições mínimas para que se dê qualidade a este tempo. Perceber que o corpo, que é “templo do Espírito Santo”, entra num processo de decadência, é duro e a pessoa se sente diminuída. Isto certamente é consequência das modificações corporais, mas certamente é também consequência da diminuição do espaço social.

Na Igreja a pergunta pelo espaço social também se concretiza quando olhamos para o espaço do ministro/a aposentado/a dentro dos devidos espaços, seja local, sinodal ou nacional. Vemos que de forma espontânea há uma organização das pessoas aposentadas, que é apoiado pela direção do sínodo e da igreja. O programa de preparação à aposentadoria quer nos alertar de que a vida pós-ministério ativo não será diferente do que agora. Poucas coisas vêm a nós sem pedirmos, como por exemplo, o trabalho. Mas a qualidade do trabalho, a convivência e partilha com colegas precisa ser construído. Também a convivência entre aposentados/as precisa ser construído. Como nãos deixamos de ser ministros/as na aposentadoria, os temas da Igreja continuam a nos ocupar e, uma vez que o grupo não é mais protagonista, a evolução da igreja nem sempre consegue ser visualizada sem temeridade.

Há iniciativas de Sínodos e da direção da Igreja para oferecer espaços para que o/a ministro/a tenha condições de planejar sua aposentadoria. Como exemplo citamos o valor mínimo para contribuir com a previdência social e o incentivo para contribuir uma previdência complementar. Conforme a Pastora, “se agora as pessoas, que tem plano de previdência complementar, discutem se vão aderir ao plano que dê pensão ao invés de continuar com seu plano contratado, isto não pode ser feito pela maioria da população brasileira porque não teve oportunidade de investir recursos em plano de aposentadoria”.

Immich concluiu: “O trabalho dignifica, mas não pode alienar, pois cada vida deverá ter sentido também fora do mundo do trabalho, embora o ministério nos envolva como um todo e a aposentadoria não vai nos levar a um mundo diferente, mas continuaremos a nos ocupar com os temas da igreja”.

Divulgação O Caminho

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EDIÇÃO • Abr/2016

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