Sínodos Vale do Itajaí e Norte Catarinense - 29 de abril de 2017
Abril 2016

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ABUSOS NA IGREJA

A Igreja Católica completa deve aceitar sua a culpa e a responsabilidade coletiva pelos abusos sexuais cometidos por seus membros, disse na quarta-feira (24 de março) o cardeal de Viena, Christoph Schoenborn. Schoenborn falou diante de 3.000 fieis numa emocionada e pouco convencional missa antes da Semana Santa, chamada “Estamos furiosos, Deus!”, dedicada exclusivamente ao tema dos abusos.

A Igreja Católica tem sido remexida pelas revelações de abusos sexuais por parte de sacerdotes em vários países de Europa e por causa do encobrimento feito pela hierarquia eclesiástica.

“Alguns de nós temos falado sobre a graça de Deus e ainda assim temos feito mal àqueles que nos foram confiados”, disse Schoenborn, na Catedral gótica de São Estevão de Viena, durante uma cerimônia realizada com o grupo leigo “Somos Igreja” (We are Church) e com vítimas de abusos.

“Alguns de nós temos usado de violência sexual (...). Alguns de nós roubamos a infância de meninos e meninas”, declarou, numa parte da missa lida em conjunto com um teólogo austríaco.

Schoenborn, que foi nomeado cardeal de Viena logo depois que seu antecessor renunciou, em meio a acusações de abuso sexual, em 1995, também reconheceu o encobrimento. “Para alguns de nós, a aparência imaculada da Igreja era mais importante do que qualquer outra coisa.”

“Nós, o povo de Deus, sua Igreja, levamos esta culpa juntos”, afirmou. “Nós confessamos nossa culpa diante dos muitos a quem temos feito mal como Igreja, e a quem alguns de nós temos feito mal de maneira muito direta”, acrescentou.

A renúncia anteriormente ocorrida neste mês do arqui-abade do Monastério São Pedro de Salzburgo, logo depois de reconhecer que abusou de um menino, há 40 anos, motivou uma série de relatos sobre abuso sexual contra menores nas instituições católicas austríacas.

 

Linhas telefônicas – Durante a missa de quarta-feira, dezenas de vítimas de abusos ou os seus familiares leram testemunhos sobre o seu sofrimento, inclusive anos ou décadas depois de ocorridos, de sua ira contra os perpetradores e contra a Igreja que não os responsabilizou.

Revelações similares em instituições laicas e religiosas na Alemanha também têm alentado mais vítimas austríacas a reportar os seus casos, muitos dos quais ocorreram há décadas. Mais de 500 ligaram neste ano par uma linha telefônica que a Igreja disponibilizou para ajudar as vítimas.

“É uma experiência dolorosa para a Igreja. Mas o que representa esta dor comparada à dor das vítimas que temos ignorado?”, disse. “Agora que essas vítimas falam, Deus fala a nós, a sua Igreja, para que despertemos e nos limpemos”, agregou.

Recentes escândalos por abusos em países de Europa, incluídos Alemanha, Irlanda e Holanda, têm sacudido o Vaticano e motivaram chamados para pôr fim ao celibato dos sacerdotes, uma limpeza da hierarquia da Igreja Católica e a renúncia do Papa, mesmo que isto seja considerado como improvável.

Schoenborn, um assessor próximo e ex-estudante do Papa Bento XVI, já tem desafiado a Igreja em outras oportunidades para debater abertamente temas tabus como o celibato, a preparação para o sacerdócio e atitudes mais liberais da sociedade frente ao sexo.

Schoenborn tem sido um dos prelados mais abertos ante as vítimas de abusos e tem rechaçado as tendências na Igreja em favor de iludir os críticos e culpar os clamores de parcialidade contra a Igreja Católica, apontando outros abusos no contexto laico.

“Os abusos dentro da Igreja são particularmente graves porque desonram o santo nome de Deus”, declarou. (Ecupres)

BORIS GROENDAHL / Viena

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EDIÇÃO • Abr/2016

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