Sínodos Vale do Itajaí e Norte Catarinense - 22 de agosto de 2017
Abril 2016

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Indígenas latino-americanos estão preocupados com as mudanças climáticas

Representantes de dez países da América Latina participam do Workshop Latino-Americano Mudanças Climáticas e Povos da Floresta, em Manaus (AM). Um dos objetivos do evento, que termina hoje, é encontrar formas de compensação para as populações nativas e povos indígenas que enfrentam as conseqüências do desequilíbrio climático. Além de tirar o sustento da floresta, essas populações ajudam na preservação da sua biodiversidade. Segundo representantes dos indígenas, a questão territorial se torna cada vez mais preocupante na medida em que as populações que vivem na floresta sentem que o clima não é mais o mesmo.

"Hoje, a seca tem causado um grande impacto na época do verão pela seca dos rios. Alguns igarapés, pequenos rios, estão secando. A chuva também causa grandes alagamentos no alto rio Juruá", disse Benki Piyanko, líder do povo Ashaninka. Ele vive na região do alto rio Juruá, no Estado do Acre.

A força da representatividade do encontro é um trunfo que os participantes contam para que o resultado dos debates seja aceito na comunidade internacional. Estão reunidos em Manaus índios da Guatemala (que possui 80% de sua população composta por indígenas), o Conselho Nacional de Seringueiros (uma das categorias mais fortes entre os povos nativos da Amazônia), lideranças do Panamá, Paraguai, Guiana Francesa e todos os países da Amazônia Internacional.

Além dos 31 representantes dos índios da América Latina e seus povos tradicionais, a Organização das Nações Unidas também enviou observadores. Entre elas, Elisa Canqui, consultora do Fórum Permanente da ONU para Questões Indígenas. Índia do povo Aymara, engenheira agrônoma com mestrado em economia e desenvolvimento regional, ela diz que há pontos convergentes entre as demandas dos povos indígenas do continente latino-americano. "Em termos de América Latina, em muitos povos indígenas, hoje em dia, seus direitos de território principalmente não são reconhecidos e por isso são frágeis", afirmou.

Também participam, como observadores, representantes de comunidades da Indonésia (Ásia), República do Congo (África) e enviados dos governos da Bolívia, Inglaterra e Estados Unidos. O evento é organizado pela Aliança dos Povos da Floresta, uma associação que reúne a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia (Coiab), que representa cerca de 430 mil índios espalhados em nove Estados, o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS) e o Grupo de Trabalho Amazônico, que reúne 625 organizações não-governamentais.

O clima das discussões pode ser resumido pelo presidente da Coiab, Jecinaldo Sateré. "Falta consciência à sociedade, mais prática e menos discurso aos governos. Nossos territórios são o que há de mais sagrado e o defenderemos como se fosse a nossa mãe", disse.

Os participantes vão assinar um documento conjunto que deverá reger as estratégias dos índios e dos povos que vivem na floresta. A "Carta de Manaus" vai ser apresentada na próxima seção do Fórum Permanente da ONU específica para debates sobre mudanças climáticas. O evento deve acontecer entre 21 de abril e 2 de maio nos Estados Unidos.

E o que sair dos debates deve ter uma boa repercussão "lá fora", segundo o presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros, Manuel Cunha. "Não é uma proposta de um País, não é uma proposta de um bioma, é uma proposta conjunta dos países da Amércia Latina", falou o líder seringueiro.

Arnoldo Santos / Terra

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EDIÇÃO • Abr/2016

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