Sínodos Vale do Itajaí e Norte Catarinense - 23 de junho de 2017
Abril 2016

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Começam os rituais de acasalamento

O BBB, que em suas edições anteriores revelou ao Brasil e ao mundo personalidades carismáticas como Bambam, Cowboy, Cida e o multi-talentoso Alemão, começou sua oitava edição com baixa audiência e manteve o baixo nível (vele a leitura com duplo sentido) durante toda a semana. Não vamos esquecer a contribuição preciosa que o programa tem dado às revistas masculinas de, como se dizia antigamente, "mulher pelada".

Assisti a um programa e com enorme dificuldade para chegar até o final. E nesse dia, o melhor momento foi protagonizado por Pedro Bial, que se atrapalhou todo ao tentar mostrar ao participante Marcelo que entendia tudo de mitologia. Falou bobagem, foi corrigido pelo rapaz (oooollléééé!!), tentou retomar a pose mas tenho quase certeza de que chutou portas e paredes quando as câmeras foram desligadas. No lugar dele eu faria isso. No lugar dele, todavia, eu não tentaria me mostrar além do solicitado pelo roteiro.

O mostrar-se, porém, é a praga que afeta todos que estão na casa ou participam do dia-a-dia da mesma. Uma locução típica dos documentários sobre o reino animal se encaixaria com perfeição em 80% dos momentos do BBB. "Com chegada do verão, os machos começam a disputar seus espaços com outros machos, para que as fêmeas, ao perceberem suas existências, permitam que os rituais de acasalamento tenham início". Bem menos interessante que o dos pingüins, dos albatrozes, das focas ou da cotovia de papo amarelo, o ritual dos machos do BBB é marcado por uma pobreza espetacular de vocabulário, imaginação e poesia.

Cito a filósofa brasileira Olgária Matos: "A 'sociedade do espetáculo' contemporânea é a da visibilidade absoluta: é panóptica." E em seu livro, "Discretas Esperanças", ela explica que Panopticon é um projeto desenvolvido no final do século XVIII por Benthan. Um projeto de uma prisão circular com um torre central. Da torre tudo se vê. Mas das celas, os presos não conseguem ver nada. Eles apenas sabem que estão sendo vigiados todo o tempo.

De fato, tudo se inverteu. O que deveria ser um experiência humilhante é hoje disputada com o peso de sonho da vida inteira: a vaga nessa prisão vigiada por milhões de pessoas.

Por Márcio Alemão
Publicitário, roteirista, colunista de gastronomia da revista Carta Capital.

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EDIÇÃO • Abr/2016

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