Sínodos Vale do Itajaí e Norte Catarinense - 11 de dezembro de 2017
Abril 2016

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Aluno boca suja paga multa por palavrão

Mais de 400 alunos já levaram multa por falar palavrão na escola. A punição incomum de cobrar R$ 0,10 a cada palavra feia emitida foi implantada pelo Colégio Evangélico Jaraguá, em Jaraguá do Sul (SC). A prática surgiu a partir da irritação de um professor de alemão com o linguajar dos alunos e atingiu desde a 5ª série do ensino fundamental até o último ano do ensino médio.

O palavrão só é registrado quando está em contexto de ofensa ou constrangimento. Um inocente "bunda", por exemplo, não conta. Entre os alunos, há até aqueles que acabam dedurando o colega boca-suja. Mas o que vale mesmo é a multa aplicada pelo professor e pela bibliotecária. A cada palavrão vai o aviso no caderninho.

Com o dinheiro arrecadado, foram comprados livros e materiais ilustrativos para as aulas. "A escola é luterana e tem princípios cristãos. Devem existir punições, como a repreensão e a advertência. Como a multa tem esse tempero, os alunos ficam envolvidos, uns cobrando os outros. Ela está tendo sucesso. As espontaneidades que saltavam diminuíram muito", afirma o diretor do colégio Leopoldo Fenner.

A medida já tem cerca de dois anos desde o início de sua aplicação. E, em todo o período de vigência, mais de R$ 40 foram arrecadados, segundo Fenner. No entanto, a implantação foi controversa. "Nem todos os professores quiseram aderir ao processo de cobrança de multa. Nas reuniões pedagógicas ficou acertado que outras punições podem servir para a cobrança da linguagem adequada. O professor de alemão e a bibliotecária é que levaram adiante a idéia", conta.

A resposta dos pais dos estudantes sobre a medida, em geral, tem sido positiva, de acordo com o diretor. "Nem todos concordam, é claro". Segundo ele, alguns pais chegam a brincar com o valor da multa, que não sofreu correção monetária e estaria "defasado".

Se o estudante não tem o dinheiro no dia, não faz mal. Ele pode dar os R$ 0,10 no fim do mês. O que é coletado fica guardado em um cofrinho, sem possibilidade de retirada ou desvios. Mas a multa pode ter seus dias contados: "O pessoal passou a se policiar tanto, que a arrecadação é bem menor do que já foi no início", diz Fenner.

Simone Harnik - Agência RBS

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EDIÇÃO • Abr/2016

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